2015 começou de uma maneira bem especial pra mim. Chegou a hora de adentrar o mundo da paternidade. Minha Maria Cecília chegou para abrilhantar esse mundo!
Confesso que poderia passar o dia todo aqui descrevendo a sensação de ser pai e jamais chegaria nem a ser próximo do que realmente sinto!
Mas adentrei também o mundo da maternidade!
Numa casa com 5 mulheres é difícil não ter sua voz reduzida de volume.
Em pouco tempo também vão aparecendo as diferentes técnicas para um melhor cuidado da nossa bebê e as inúmeras recomendações que devemos ter com ela dadas pela família e pelos milhões de pediatras existentes pelo mundo. Juro que depois da segunda "recomendação" eu desisti de brigar. Muito menos de entender.
Já disseram que ela estava com cólicas (mesmo sem estar!) porque torcíamos a fralda dela depois de lavar (oi?); que no sétimo dia de nascida, ela não poderia sair de casa; que o cordão umbilical deveria ser enterrado na porta de uma fazenda pra dar sorte; que a mãe deveria assoprar as unhas dela nas sextas feiras para que não ficassem grandes; algodão para curar soluço (Tá! Admito! Esse eu faço!) e mais um milhão de outras coisas que não há ciência que justifique.
Parei de implicar porque sei que muitos que falavam isso apenas queriam ajudar e que isso vinha de uma cultura secular.
Entretanto, dentro do mundo materno, também pude perceber uma sectarização que me incomoda.
Parece que existem grupos dentro da categoria "Mãe". Quando uma mulher diz que deu a luz sua criança durante o parto cesáreo, parece que ela é excluída da categoria de "Super mãe" para a categoria de "Mãe intermediária", afinal de contas, ela foi fraca e cedeu às "pressões da sociedade sobre o modo como ela deveria trazer seu bebê ao mundo". As mães que fizeram o parto normal estufam o peito e se sentem superiores de um modo ímpar.
Mas, a divisão entre as mulheres não para por ai. A condenação pode ser maior se a mãe diz que dá mamadeira ou chupeta para a criança. Nesse caso, além de fraca, ela está sendo relapsa com a saúde de seu bebê, afinal de contas, "apenas com o peito a criança está satisfeita". E se ela disser que dá complemento lácteo, é melhor sair do país. Ela chegou ao cúmulo de tudo.
Me entristece ter que presenciar esse tipo de coisa entre seres semelhantes tão sublimes como são as mães. Tenho certeza que toda mãe gostaria de poder ter seu filho da maneira mais natural possível. Será que tantas organizações também dão o suporte necessário às mães que não tiveram como escolher o parto de seu bebê? Ou dizer às mães que optaram pela cesárea que o que importa é o amor que ela dará a seu filho?
Não tiveram como escolher? Claro! Problemas de saúde, estrutura de onde ela mora e tantas outros fatores que foram maior do que ela. Quando a "boa hora" vai chegando, o medo vai batendo e ela esquece um pouco dela pra olhar só pra seu bebê, naturalmente!
A mãe, acima de tudo, é um ser humano! Mais forte do que o normal, mas é um ser humano com as mesmas necessidades de todas. Tem sono, fica cansada, estressada e mais tantas coisas para lidar e agora, tem um serzinho pequeno e fofinho em casa que vive com fome querendo mamar. E quando a mãe não tem leite pra dar e se vê obrigada a ter que dar um complemento artificial, acham que ela faz isso por gosto e vaidade? Nasce um misto de tristeza e impotência por não poder dar o necessário para seu filho ficar bem! Não ter leite é normal! Todas as mulheres, muito melhor que eu, podem falar isso, porém, não tem o direito de condenar.
Há também o cansaço. Noites longas de sono não pertencem mais, porém, dormir, comer e tomar banho são necessários para todo ser humano. Menos pra mãe? Se uma mãe sente que sua criança fica mais calma e propícia a dormir, porque ela se torna a pior mãe do mundo por dar uma mamadeira para acalmar ela antes do "tempo previsto"?
Todos sabemos que leite materno, parto natural e tantas coisas são muito importantes para nossos herdeiros, mas existe algo maior no meio de tudo isso: AMOR! O amor que destinamos é muito maior do que tudo isso e devemos respeitar e valorizar todas as formas de amor às nossas crianças
A discussão deve ser agora a de parar com essa divisão entre as mães! Valorizar o amor que cada mulher dá a seu bebê e ajudar aquelas mães que, de fato, precisam. Aquelas que, quando descobrem a gravidez, ficam sem norte e que, quando as crianças nascem, não tem uma estrutura mínima para manter a criança e a si mesma.
Uma mãe que trouxe uma criança ao mundo através da cesárea e dá complemento alimentar à ela por escolha dela, não é uma mãe inferior àquela que fez parto normal humanizado e dá o peito durante 2 anos de vida do bebê.
A luta deve ser pela valorização do amor de todas as mães!
Trago a frase que um amigo encerrou uma discussão sobre parto normal e cesáreo:
"O melhor parto é o que a minha companheira quiser! O que ela decidir, eu apoio!"
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