E a competição desejada por clubes da América teve fim na última quarta (27/06) quando o Atlético Nacional de Medellín se sagrou campeão em casa após vencer o Independiente Del Valle do Equador.
Como sempre, estádio cheio. Público inflamado! Gritos de incentivo constantes como todos os estádios da América Latina tem como características suas. Um espetáculo à parte.
Mas, depois da final vem a reflexão: provavelmente (espero estar errado), nenhum desses jogadores vai ser lembrado na premiação de melhores do mundo da FIFA, órgão que deveria regular o futebol no MUNDO TODO. Será que, durante uma competição desse porte, que pode sair o campeão mundial de clubes não há 1 único jogador que deva ser lembrado?
"Mas a premiação é para toda a temporada! Os caras 'só' ganharam isso!" pode dizer o defensor da entidade. Mas, desde quando ela acompanha os campeonatos nacionais da América (principalmente, do Sul)?
Lembro de um ano em que Romário, quando estava no Vasco, estava engolindo a bola. Foi artilheiro do campeonato, foi cotado pra Copa do Mundo (não foi por questões com o técnico), mas na premiação da Bola de Ouro, sequer foi lembrado. Não falo de ser o melhor do mundo. Mas alguém deveria citar o cara que tava fazendo gol até quando não estava em campo no maior país da América do Sul e no campeonato mais difícil do mundo.
Isso remete que a América do Sul ainda é, no quesito futebol, mecanismo ativo do processo de colonização que só havíamos estudado nos livros de História. Temos as matérias primas e as desenvolvemos bem, daí, vem os europeus, levam o que temos de melhor para lá e ficam com o crédito e os frutos do que produzimos.
Não tem sido diferente nos últimos anos. Já é lema que o jogador para ter sucesso tem que sair do Brasil. Se ele não for pra Europa, jamais terá status de grande jogador. Por isso que o primeiro "Não" de Neymar à uma proposta de um gigante europeu rendeu tanta polêmica.
Mas, por que isso? Por que os nossos tem que ir pra lá para crescerem. Por que as portas se fecham por continuarem em seus clubes? Por que as premiações até vem para latino americanos (já que os norte americanos estão mais para o football do que para o Soccer) mas não quando estão no seu continente? Porque não ganharam uma UEFA Champion League contra times bilionários e só ganharam Libertadores com estádios fervendo e, às vezes, gramados nem tão tapetes quanto os de lá, é isso?
Espero ficar vivo para ver essa lógica mudar. Vejo horizonte quando europeus vem pra cá pra o nosso futebol, assim como Seedorf fez (e foi esquecido pelos holofotes do mundo de lá). Mas o caminho é longo e difícil.
Encerro com o exemplo de Miguel Borja, atacante do Atlético Nacional que fez 5 gols em 4 jogos e foi o nome da reta final da Libertadores. Não estou dizendo que ele será o Ballon D'Or dessa temporada,mas, mesmo que tivesse acabado com a Libertadores, nem lembrado seria.
Mas o futebol ainda respira!

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